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Museu Militar Capitão Pitaluga reserva vasto acervo da história da FEB

  • Publicado: Quinta, 25 de Maio de 2017, 15h23
  • Acessos: 1588

Fundado em 2002, museu carrega o nome de seu segundo comandante durante a Segunda Guerra Mundial.

 Valença (RJ) – Única unidade da 2ª Divisão de Exército fora do Estado de São Paulo, o 1° Esquadrão de Cavalaria Leve (Esqd C L) guarda outra singularidade mais interessante: foi a única tropa de Cavalaria do Exército Brasileiro a combater em solo italiano durante a Segunda Guerra Mundial.

Quando retornaram para o Brasil em 1945, os expedicionários do então 1° Esquadrão de Reconhecimento (Esqd Rec) trouxeram consigo memórias e espólios de guerra. Um material rico, carregado de história e que, 57 anos depois, deu vida ao Museu Militar Capitão Pitaluga.

O ilustre comandante

A homenagem refere-se ao segundo comandante do 1° Esqd Rec durante a Segunda Guerra Mundial. O então Capitão Plínio Pitaluga assumiu o comando da unidade em dezembro de 1944, quando o Esquadrão estava estacionado, junto a toda Divisão de Infantaria Expedicionária Brasileira, em frente ao Monte Castelo. O museu reserva uma sala, no primeiro andar, para contar a história dele por meio de um vasto acervo pessoal doado pela família. No recinto, é possível acompanhar, em uma televisão, uma entrevista do General Plínio Pitaluga a Globo News. “Eu senti, naquele momento, que, se eu tomasse um contra-ataque alemão – e eu estava a 80 quilômetros da Infantaria –, eu estaria destruído. Mas então agi com calma e tranquilidade. E o soldado brasileiro tem que ter na bagagem um pouco de sorte também”, relembrou o General ao narrar a perseguição aos alemães após atravessar o Rio Panaro, no contexto da Ofensiva da Primavera, em abril de 1945, e que levaria à capitulação de 14.779 inimigos em Fornovo Di Taro no final do mês.

A madrinha

Ainda no térreo do museu, o visitante pode se deparar com outras peças raras: o boletim diário do Esquadrão durante a guerra, cartas de militares, fardamento e material de campanha. Mais à frente, a Sala Capitão Bertha Moares homenageia a “Madrinha do Esquadrão” e o 1° Batalhão de Saúde que, à época, estava instalado em Valença, na atual sede do 1° Esqd C L. No recinto, há uma exposição de material de campanha médico e odontológico. Diversos ambientes do museu contam com material audiovisual, que estimula os outros sentidos do visitante, fazendo o refletir sobre o cenário enfrentado pelos expedicionários. Uma maquete de Montese após a batalha retrata a ocupação dos blindados M-8 Greyhound e o início da missão de aproveitamento do êxito por parte do 1° Esqd Rec na Ofensiva da Primavera.

A “Lurdinha”

No segundo andar, a Sala General Otto Fretter-Pico guarda a memória de guerra do inimigo: flâmulas nazistas, medalhas e material de campanha alemão, entre eles a famosa “Lurdinha” ou MG 42 – temida metralhadora alemã utilizada na Segunda Guerra Mundial. Há ainda uma sala para contar a história do 1° Grupo de Aviação de Caça da Força Aérea Brasileira, outra que expõe material de comunicações utilizado na Campanha da Itália e uma biblioteca com vasta bibliografia sobre a Força Expedicionária Brasileira.

Visite!

A missão de preservar a história da FEB e do Esquadrão segue sendo passada entre os curadores do museu, que hoje compõe o Circuito Internacional de Museus. Atualmente, a tarefa está nas mãos do 1° Ten Calixto. “Os expedicionários já não visitam mais o museu: o medo de se emocionar e o risco de o coração não aguentar é grande”, revelou.

O atual comandante do 1° Esqd C L, Capitão Rafael Barbosa Pereira, comentou o ótimo relacionamento do Esquadrão com a sociedade local. “Fruto do trabalho de antigos comandantes, esse relacionamento é excepcional até pelo fato de o Esquadrão fazer parte da história de Valença. É difícil ter uma família valenciana que não tenha ou tenha tido um parente que serviu no Esquadrão. Esse relacionamento é um legado e, portanto, há uma responsabilidade ainda maior em usar a farda verde-oliva em Valença”, disse.

O Museu Militar Capitão Pitaluga fica no interior do 1° Esqd C L, localizado na Avenida Comendador Antônio Jannuzzi, 415, Valença (RJ). A visitação ocorre de segunda a quinta-feira das 8h às 11h e das 13h às 16h e às sextas-feiras apenas na parte da manhã. O museu ainda abre as suas portas aos finais de semana para grupos, desde que com prévio agendamento com a Seção de Relações Públicas pelo telefone (24) 2458-4424, ramal 22.

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