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Memorial 2ª DE

MEMORIAL DA 2ª DE

Publicado: Quinta, 05 de Março de 2020, 16h19 | Acessos: 776

O objetivo do Memorial é que o espaço demonstre a trajetória da presença das tropas operacionais do Exército Brasileiro no Estado de São Paulo.

Clique aqui e leia a matéria sobre a inauguração desse espaço.

Origens

A primeira convocação para um serviço militar obrigatório em terras brasileiras aconteceu por promulgação da Câmara de São Vicente, a 9 de setembro de 1542, que expediu um “termo” determinando a organização de uma milícia formada por colonos e índios. O objetivo desse exército nacional era defender a primeira vila do Brasil dos constantes ataques de silvícolas e piratas. São Vicente, à época, estava próxima à fronteira com a América Espanhola, e essa força operativa demonstrava a preocupação com a defesa nacional.

 

Bandeirantes

As Bandeiras eram expedições militares com propósitos diversos. Os Bandeirantes contribuíram, em grande medida, para a expansão territorial do Brasil para além dos limites impostos pelo Tratado de Tordesilhas (1494). Após ocupar o Centro-Oeste e o Sul do Brasil, os bandeirantes descobriram ouro em Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, além de explorarem as terras do atual Rio Grande do Sul e Santa Catarina e apoiarem a expulsão dos holandeses do Nordeste. Raposo Tavares, um dos mais importantes bandeirantes, percorreu 10.000 km, em três anos, e foi o primeiro português a explorar parte do Paraguai e da Bolívia e a navegar pelos rios Mamoré e Madeira. Os Bandeirantes também legaram importantes valores ao povo paulista, como determinação, garra e empreendedorismo.

Várias das unidades militares sediadas em São Paulo têm seus nomes alusivos a esses homens: 2a RM – Região das Bandeiras, 11a Bda Inf L – Brigada Anhanguera, 13o RC Mec – Regimento Anhanguera, 4o BIL – Regimento Raposo Tavares e 2o BE Cmb – Batalhão Borba Gato. Faz também justa homenagem o brado do CMSE: “Bandeirantes – tudo pelo Brasil”.

 

Guerra da Tríplice Aliança

A Guerra da Tríplice Aliança (1864-1870) foi o maior conflito armado internacional ocorrido na América do Sul. Foi travada entre o Paraguai e a Tríplice Aliança, composta pelo Brasil, Argentina e Uruguai. Três das organizações integrantes da atual 2a DE (4o, 5o e 6o BIL, então 19o, 14o e 12o Batalhões de Caçadores) lutaram em várias das batalhas, entre as quais Tuiuti, sob o comando do General Osório, e Itororó, sob a espada vitoriosa de Caxias. São Paulo também contribuiu para o esforço de guerra com o 7o Batalhão de Voluntários da Pátria e com tropas oriundas da Legião de São Paulo, que participou de diversas campanhas no sul e foi extinta em 1924, dando origem a várias organizações militares de Infantaria, Cavalaria e Artilharia.

 

Revolução Constitucionalista

A Revolução Constitucionalista de 1932 foi um movimento armado ocorrido entre julho e outubro daquele ano nos estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul, com o objetivo de derrubar o governo provisório de Getúlio Vargas e convocar uma Assembleia Nacional Constituinte. Todas as tropas do Exército  sediadas em São Paulo participaram do conflito, constituindo a 2a Divisão de Infantaria em Operações (2ª DIO), sob o comando do Cel Euclides Figueiredo, ombreando com tropas da Força Pública e voluntários civis. Expressiva parte desses heróis está enterrada no Monumento e Mausoléu aos Mortos de 1932, do artista Galileo Emendabili, no Parque Ibirapuera. Considerado a “Última Trincheira” pelo “Poeta da Revolução” e também combatente voluntário Guilherme de Almeida, o Mausoléu abriga, entre muitos outros, o próprio poeta, o tribuno Ibrahim Nobre, Paulo Virgílio e os mártires Martins, Miragaia, Dráusio, Camargo (MMDC), além do Cap Manoel de Freitas Novaes, herói do 5o BIL.

 

Força Expedicionária Brasileira

A Segunda Guerra Mundial (1939-1945) foi um conflito militar de amplo alcance geográfico que envolveu a maioria das nações do mundo. O Brasil enviou mais de 25 mil militares, entre 1944 e 1945, por meio da Força Expedicionária Brasileira (FEB), para a Itália. Algumas das Unidades da atual 2ª DE integraram a FEB, como o 6° BIL (então 6o RI), o 20° GAC L (então III Grupo 105 FEB), o 1º Esqd C L (então 1o Esquadrão de Reconhecimento) e o 37o BIL (então III/6o RI).

Segundo o Marechal Mascarenhas de Moraes, “Desde o dia 16 de setembro de 1944, a FEB percorreu, conquistando ao inimigo, às vezes palmo a palmo, cerca de 400 quilômetros, de Lucca a Alessandria, pelos vales dos rios Sercchio, Reno e Panaro e pela planície do Pó; libertou quase meia centena de vilas e cidades; sofreu mais de 2.000 baixas, entre mortos, feridos e desaparecidos; fez o considerável número de mais de 20.000 prisioneiros, vencendo pelas armas e impondo a rendição incondicional a duas Divisões inimigas. É um registro deveras honroso e de vulto para uma Divisão de Infantaria.”

 

Revolução Democrática

Em 31 de março de 1964, em plena Guerra Fria, as Forças Armadas, atendendo ao clamor da ampla maioria da população e da imprensa brasileira, interromperam a escalada em direção ao comunismo. Tropas da 2ª DE se deslocaram para Resende (RJ), rumo ao Rio de Janeiro, e para Curitiba (PR). O Gen Amauri Kruel, então Cmt II Ex, recebeu a “rendição” do Gen Âncora, Cmt I Ex, em Resende, e pôs fim às resistências ao movimento. Foi a única das três revoluções ocorridas no Vale do Paraíba na qual não houve derramamento de sangue (as outras duas foram a Revolução Liberal de 1842 e a Revolução Constitucionalista de 1932).

Durante o governo militar, após a eclosão do terrorismo como forma de tomada do poder no país, a partir de 1968, um carro-bomba foi lançado sobre o QG do Ibirapuera, em 26 de junho de 1968, ceifando a vida do soldado recruta Mário Kozel Filho, do 4o RI, de Quitaúna (SP), promovido post mortem a 3o Sargento. Em 1970, tropas divisionárias também participaram de operações de cerco ao terrorista Carlos Lamarca, em Registro (SP), que havia roubado fuzis e munição também do 4o RI. Nesta ocasião, tombou o 1o Ten Alberto Mendes Junior, da Força Pública, morto a coronhadas pelos terroristas para não denunciar sua posição na mata.

 

Mudança do Quartel-General da 2ª DE para o Ibirapuera

Após ocupar instalações nas cidades de Lorena (SP) e Osasco (SP), o Comando da 2ª DE – ainda sob a designação de 2ª DI – instalou-se novamente na capital paulista. Ocupou instalações na Rua Coronel Oscar Porto, 487, e, posteriormente, na Rua Padre Manuel da Nóbrega, 887, junto ao 2º Esquadrão Mecanizado.

Por um curto período, de 12 de novembro de 1955 a 16 de janeiro de 1956, o General de Brigada Arthur da Costa e Silva assumiu o Comando da 2ª DI. Em fevereiro de 1959, já como General de Divisão, Costa e Silva voltou a assumir o Comando da 2ª DI. Comandante mais ilustre da Divisão, tendo-o sido por duas vezes, empresta seu nome a este tradicional Grande Comando Operativo do Exército Brasileiro.

O Decreto Reservado nº 01, de 11 de novembro de 1971, mudou sua denominação para 2ª DE.

Finalmente, em 24 de janeiro de 1996, ocupou definitivamente sua sede no Quartel-General do Ibirapuera, compartilhando suas instalações com o CMSE e a 2ª RM. Sua saudosa sede original foi demolida no mesmo ano.

 

Missão da ONU para a Estabilização no Haiti

A Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (MINUSTAH) foi criada pelo Conselho de Segurança da ONU, em 30 de abril de 2004, para restaurar a ordem no Haiti e fortalecer as instituições locais. A 2ª DE enviou tropas, em diversos contingentes, durante os 13 anos em que durou a missão, tendo sido o Grande Comando que mais contribuiu com pessoal e, desafortunadamente, o que mais padeceu com mortos durante o cumprimento da missão: 13 militares. Missão cumprida, soldados da paz!

 

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